NEC - Núcleo de Estudos em Comunicação

A busca pelo conhecimento e o crescimento intelectual podem ser alcançados não apenas formalmente, dentro de instituições de ensino. A convivência, as trocas de experiências, os estudos informais também são meios eficazes de aprendizagem. A partir da vontade e necessidade de aprimoramento, surgiu a idéia da formação de um grupo de estudos em Comunicação Social.

28.4.06

APOSTILA Nº 05 - Parte 01

SOCIOLOGIA E SOCIEDADE Dalva Maria Bertoni Bedone
O Nascimento da Sociologia "A Sociologia nasceu como resultado de uma situação histórica evolutiva no auge da época designada, com certa imprecisão, como feudal e do período moderno industrial-capitalista; nasceu como con­seqüência do interesse despertado pela descoberta de que relações tidas até então como naturais fossem de fato mutáveis e históricas”. A Sociologia surgiu num momento de desagregação da sociedade feudal e consolidação da sociedade capitalista. O que propiciou o seu nascimento foram as transformações econômicas, políticas e culturais que ocorreram no século XVIII, como conseqüência das Revoluções Francesa e Industrial, que iniciaram e possibilitaram a formação de um processo de instalação definitiva da sociedade moderna. A Sociologia, desde o seu início, tem se preocupado com tudo o que acontece no interior da sociedade, principalmente com os confli­tos entre as Classes Sociais. O seu surgimento aconteceu a partir da necessidade de se realizar uma reflexão sobre as transformações, crises e antagonismos de classes, experimentados pela então nascente socie­dade industrial. Isso vem possibilitar uma nova forma de pensar, que se caracterizou como POSITIVISMO, cuja preocupação básica consis­tiu na organização e reestruturação da sociedade, buscando a preser­vação e manutenção da nova ordem capitalista. A Sociologia Positivista e a Sociedade Capitalista Moderna Estando a sociedade desorganizada e anárquica, em função das duas revoluções sofridas, surgiu um conhecimento positivista, iniciado e desenvolvido por Saint-Simon (1760-1825), Augusto Comte (1798-1857) e Émile Durkheim (1858-1917), cujas principais característi­cas examinaremos separadamente, por autor. Saint-Simon é considerado o iniciador do positivismo e o verda­deiro pai da Sociologia, tendo sido altamente influenciado pelas idéias revolucionárias, principalmente dos Filósofos Iluministas. Vivenciou a sociedade francesa pós-revolucionária, que se encontrava em estado de desorganização geral, e acreditava que o industrialismo trazia con­sigo a possibilidade de satisfazer as necessidades da população, e que a ordem e a paz, na nova sociedade, poderiam ser propiciadas pelo progresso econômico. Para Saint-Simon a elite, formada pelos industriais e cientistas, deveria fornecer melhores condições de vida ã classe trabalhadora, elaborar normas de comportamento para atenuação dos conflitos exis­tentes entre as classes sociais e propiciar a "Ordem, Paz e Progresso", através de um processo de acomodação. A inexistência de uma ciência da sociedade consistia numa grande falha na área do saber. Saint-Simon apontava a necessidade de uma ciência que, tendo como objetivo a sociedade e que, utilizando-se dos mesmos métodos das ciências naturais, deveria, ao investigar a reali­dade social, buscar leis sobre o progresso e sobre o desenvolvimento dos homens na sociedade, principalmente da classe trabalhadora, re­freando os possíveis "ímpetos revolucionários". Augusto Comte (1798-1857), retomou algumas idéias de Saint-Simon, sistematizando-as. Comte foi um grande defensor da moderna sociedade capitalista. A sua obra se fundamentou também no estado de caos em que se encontrava a sociedade européia após a Revolução Francesa e a Revolução Industrial. Para ele, "para haver coesão e equilíbrio na sociedade, seria necessário restabelecer a ordem nas idéias e nos conhecimentos, criando um conjunto de crenças comuns a todos os homens". Acreditava que um espírito positivo dentro da sociedade levaria à sua organização. Ligou a nova ciência, Sociologia, com o Positivismo, denominando-a inicialmente de "Física-Social". Tal como Saint-Simon, Comte admitia que a latente sociedade industrial necessitava passar por algumas mudanças, que deveriam ser comandadas pelos industriais e cientistas, para que o progresso pu­desse aparecer de uma forma gradual, como conseqüência da ordem instalada. A Sociologia, ao estudar e explicar os acontecimentos da sociedade, seria o elo que ligaria a "Ordem" da sociedade ao "Pro­gresso". Émile Durkheim (1858-1917), preocupado com a questão social, procurou estabelecer o objeto da Sociologia e elaborar um método de investigação próprio. Durkheim vivenciou um período de crises econômicas, que provo­caram conflitos constantes entre as classes trabalhadoras e os pro­prietários dos meios de produção. No início do século XX, ocorreram progressos econômicos propiciados pela utilização do petróleo e da eletricidade como fontes de energia. Nesse período, as idéias socialis­tas surgiram, justificando a partir dos fatos econômicos, as crises so­fridas pelas sociedades européias. Durkheim discordava dessas idéias, acreditando que os problemas da sociedade eram muito mais "morais" do que econômicos, e que ocorriam devido à fragilidade da época. Durkheim considerava a sociedade como um sistema formado pela associação de indivíduos e com características próprias e que esta, ao transmitir a cultura aos seus componentes, inculcava crenças e práticas sociais. Via na sociedade "o fim e a fonte da moral". Encarava a moral como "social", em inúmeros sentidos. "As regras morais são sociais na origem, são gerais dentro de uma dada sociedade, e pressu­põem a associação humana, impõem obrigações sociais aos indiví­duos, proporcionando um quadro de referência externo para o indivíduo, vinculam-no fins sociais, e envolve altruísmo”. Para ele a divisão de trabalho propiciada pela nova formação de produção industrial, provocava muito mais solidariedade entre os homens, levando muito mais a uma interdependência, do que aos con­flitos sociais. Durkheim acreditava que a ciência poderia, através de suas inves­tigações, encontrar soluções para os problemas da época. A Sociologia deveria se ocupar dos fatos sociais. Fato social, em sua opinião, consistia em "toda maneira de agir fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, indepen­dente das manifestações individuais que possa ter”. Assim, o modo de vida, a forma de agir dos indivíduos na so­ciedade, além de serem criados e estabelecidos pelas gerações passadas, possuiriam a qualidade de serem coercitivos. Dentro dessa óptica, a função da Sociologia seria buscar soluções para os problemas sociais, favorecendo assim a normalidade da sociedade, convertendo-se em técnica de controle social e manutenção do poder vigente.

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